quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Inspiração

No topo daquela fria montanha
Pode se ouvir o lamurio do vento
Entoando uma antiga canção
Trazendo uma voz perdida
Entorpecida em obscuras melodias
Uma dama oculta em negras vestes
Que conduz a luz e trevas entre preces
Enfeitiçando ao poetizar
Uma dama de alma entrelaçada
De júbilo e batalhas
Um espirito que canta
E desperta naqueles que a escutam
A vontade de cantar



dedicada a cantora e minha inspiração,  Fernanda Freitas Miranda

Hammer Herz

Meus dedos tocam o arco 
o posicionando docemente sobre as cordas
meus dedos tocam o espelho negro
buscando o som harmonioso das notas
então desço o arco e movo
marcando e ligando, tocando 
porém o som treme e oscila
com os batimentos fortes no peito
 e essa respiração acelerada inflige
novamente angustiada, cesso o som


Mais uma manhã, mais um conflito
uma voz agressiva que grita, berra
ataca sem nem menos saber
o violino sobre o colo pesa
como os olhos que anseiam chorar
respiro e me recomponho
seco o úmido na face, me recomponho
tomo o instrumento que me acompanha
deixando o peito amolecer 
deixando a música nascer
meu espirito não pode ruir 


O que bate no peito
o que move o pulso, chama
em meio a multidão, desabo
sento e deixo vir, deixo lacrimejar 
palavras ao longe me feriram
palavras ao longe me confortaram
posso enfim me mover, 
buscar outro lugar
o que bate no peito é forte
tem a força de um martelo


Sou nascida de um castelo forte
filha de musas e poesias, 
amante da canções e melodias
porém, também sou angustia 
marcada pelo fel de desconhecidos
por palavras e ações de antigos amigos
mas o coração permanece a pulsar
chamando a mulher em mim a lutar
essa é minha sina e meu escudo
pois ao cair, maior se torna meu agudo
e mais profundo..  meu som, meu eu, meu tudo




domingo, 8 de outubro de 2017

Cinzas

Lá fora as nuvens persistem
encobrindo o sorriso da minha alma
enquanto sigo chorando lágrimas de cura
em meu quarto de desolação e fúria
mescladas em orações e profanações
abraço meus  joelhos eu canto 
clamando findar dos meus dias nebulosos
Perdida nessa desolação que me imponho
sem saber como me libertar de tantos nós
percorro minha pele com os dedos
tracejando um caminho para  luz e paz
para que das cinzas do meu espírito 
possa ressurgir mais forte, mais nítida
com minha voz e corpo entrelaçados 
aos meus sonhos encantados
eu me refaço em canções e espera
por dias de flores e amores 
e um novo eu, diante do espelho, refletida


 

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Emancipação

Fazia sentido
ter você por perto
ter esse elo, essa ligação
era quase natural cada verso
que nos fazia imersos 
em tanta atraçao
sua voz, seu eu, meu par
capaz de me acompanhar
em cada riso e memória
mesmo quando nossa historia
ja estava a se apagar


Mas tudo se findou
e sua escolha foi recoar
desaparecer no ar
fingir que nada restava
que não pertencia mais
ao lugar que estava
porém certa parte de mim 
ainda falha em deixar-te ir
pois ainda te sinto e espero
você ainda está aqui, em parte
você ainda faz aqui morada


Desejava não mais escrever
tendo você como contraparte
inspiração e tentação
que toma conta da minha arte
porém, hoje quando fraquejo
quando cansada me rendo 
assim deixo o que prendo, 
vir a tona, saindo dessa redoma
e para você, escrevo uma vez mais
esperando que pela poesia
eu possa enfiar me emancipar


Você não está aqui 
e não mais voltará
sua passagem nessa alma
só deixou só arestas mal aparadas 
e um tanto de farpas fincadas
enfim, então, me deixo admitir 
que nada mais me sobra
a não ser enfim, te expurgar
tirando o doce dessas memórias
deixando a raiva então vir
é preciso somente libertar-me, 
admitir que quero, anseio, devo
conseguir partir. 
















terça-feira, 3 de outubro de 2017

Há dias

Há dias para se fechar
Há dias para abrir-se
Há dias para desejar avidamente um abraço
Há dias que seu abraço é o reduto para alguém
Há dias para calar-se
E há aqueles que sua voz é a unica coisa que trará paz a outro
Há dias para se destruir e se refazer
E por fim há aqueles em que você está destinado a unir 



Há dias em que nada sou se não eu mesma
Há alguns em que me converto em algo a mais
quando enlaço meus braços em quem me procura
Há dias, que eu não posso ser sou eu
Há horas, que eu queria ser sou eu
É confuso ser algo e não ser nada
Ser solicitada quando pouco se pode fazer


Há dias, em que a ferida cala
mas nem sempre a dor é minha
Há dias que só me resta versar
e assim tudo se alivia



domingo, 24 de setembro de 2017

Frágil

Minha poesia tem sido meu castelo. Meus versos, meus dragões.
Não luto minhas espadas com escudos e espadas, mas com palavras, lágrimas e esforço.
Muitas vezes saio da cama sem vontade de me levantar, pensando se não deveria deixar o dia passar e só ficar ali, parada, porque estou cansada. Cansada dessa quebra de galho diária com minha mente, minha volta, minha falta. Só nesse ano fui ao "inferno" e fui resgatada mais de uma vez. Fui uma sobrevivente em um caso delicado, da qual só pessoas mais próximas sabem e tem sido uma grande batalha me manter em movimento. Eu me salvei porque lutei. É é isso que tenho feito a minha vida toda.

Eu deveria estar em atendimento psicológico, mas faz mais de um mês que não apareço nas sessões. Faltei na primeira sessão por questão de trabalho. O problema foi na semana seguinte, tem sido alvo de cyberbullying e depois de ameaças. Tive um principio de crise de pânico novamente e não consegui sair de casa. Tinha medo, tinha raiva, tinha tristeza. Fiquei tentando manter a normalidade, mas é bem dificil quando se sente fraca o tempo todo. 


Ai nas duas sessões seguintes, eu fiquei sem dinheiro. E tinha que escolher entre ir pro trabalho ou para o médico. Escolhi a primeira opção. Agora, estou sem jeito de aparecer lá e retomar tudo. Me sinto idiota e sinto que preciso retomar, só não sei como. Eu permaneço cantando, eu permaneço escrevendo, eu permaneço ensaiando. Eu permaneço vivendo


Mas as pessoas continuam me ferindo. Pisando nas minhas lembranças. Me agredindo gratuitamente. Enquanto eu só quero tentar continuando. Amo minha faculdade, meu estágio, meus alunos, tudo o que consegui com meu livro. Amo os meus sonhos e tudo que tenho construido

Só que é domingo a noite, eu estou desabafando aqui, escrevendo
E estou chorando de novo, é pelo menos 20% de tudo o que compõe minha semana
chorar. Isso não é bom, isso não é legal,. Sinto como se estivesse a ponto de quebrar
mas todo mundo so quer a Ida risonha e piadista 
todos so querem uma garota sem problemas
eu só queria algumas ligações de vez enquando
e saber que as pessoas pensam em mim 
e não só julgamentos
eu só queria dormir, sem pesadelos, sem ansiedade 
só dormir 
 

"Venda"

A arte na parede não enfeita
em parte, ela rejeita
sua carteira, sua definição
seu ego e conceito de belo
como o picho naquele parede
onde se lê sobre o que se expele
sobre o que arranha a garganta
e geme, como um soco do pm
na cara do moleque em frente



Mesmo o quadro multicor
que você aponta e diz que é belo
foi uma encomenda à um pintor
paga com prata ou louvor
e só isso na mente, meu caro senhor
Não seja tolo em achar
que toda genialidade nessa parte
não tenha um preço pra ser "arte"
mas no final tudo se copia
virando estilo, influência e classe



Só que agora tem um povo
que gosta de clamar os louros
sobre o que fica no painel
o que entra e sai na luz do sol
que podem dançar alguns poucos
que podem experimentar os outros
um povo que mal sabe das quebradas
dessa tal de arte, dessa tal de liberdade
que nem o caminho para uma exposição
sabiam antes de ver a tal da "maldade"



Sinceramente,
a poeta não sabe se chora
ou se ri sem demora
Porque até os versos dessa que escreve
foram punidos com rótulos e insensatez
ou não sabias que agora decidiram
que fazer da poesia algo mais que floreio
dizem por ai não me torna uma autora
agora me sinto uma marginal escritora
já que aquilo que trato com tanto esmero
pouco tem valor pra esse povo
que quer uma fogueira a cada berro



Vendados estamos,
afinal porque que não vemos
O preço que colocam em nossas cabeças
a mordaça que agora desce a ladeira
e chega a porta do museu, do palco
até na beira da escolar carteira
onde da ponta do pincel a caneta
nos movimentos de mãos e na cena feita
somos escravos dessa tal "venda "
então me entristeço e aqui escrevo
pelos que caem de joelhos, calados e presos
enquanto da lâmina da censura nada escapa
e o que fica, não expõe e denuncia
só serve para decorar sua vista 



Imagem: Painel produzido pela artista VR (Vanessa Rosa) com o tema Violência contra as Mulheres