sábado, 9 de dezembro de 2017

Dagaz

Verte esperanças na luz que retorna
a cada amanhecer 
a cada transformar-se em um novo ser
atada ao solstício que a de preceder
com grande luminosidade
o progresso da escuridão 
que não a tarda a te envolver


Despertada em tantos constastes
é chegada a hora de antever
que a mudança virá para ti 
mesmo sem querer 
equilibrando-se o assim
nas asas de uma borboleta
o verão após o casulo a crescer


Não temas o frio e o silêncio
ou os passos aos quais se deve ater
se enfim, desejas crescer
pois as estações vem e vão 
e nesse ciclo que em mim transcrevo
bordados em realidades que vejo
Dagaz me acompanha tal como meu sol
e também minha lua. 



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Toda parte vivaz em mim


A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé


Pois o vermelho, é puro e direto
o branco translucido, sincero
Nessas cores que vejo e quero
menos do negro me embebedo
E do carmim ao jasmim
Encontro outras de mim
Sempre versões com as quais
possa um pouco sorrir



Mi Manchi



Se eu disser que não sinto saudades 
estarei mentindo
ou tentando me enganar?
Se eu disser que já não me importo 
quando passa e não me olha
ou mais ainda quando preciso me acostumar
a notícias suas não mais ganhar


Se eu disser que seu abraço não faz falta
ou que teu beijo e cheiro ainda não voltam
à minha memória sorrateiramente
quão salsa eu soaria a mim mesma
e a realidade que me rodeia?
Se eu disser que não espero que volte
mesmo quando afirmasse tanto que não o faria


O que sei é que se dependesse só de sanidade
eu já teria passado tudo a limpo
rasgando todos esses rascunhos do meu espirito 
para nada sentir com tua proximidade ou não
para não mais tingir em vão colorido
as lágrimas manchadas de maquiagem 
que insistem em fluir 




A imagem pode conter: nuvem, céu, árvore e atividades ao ar livre

domingo, 3 de dezembro de 2017

Que este não seja meu último poema

Que este não seja meu último poema
pois o coração anda cansado
mas ainda pulsa 
pois a respiração por vezes ofega
 não da forma sensual que se espera
ela falha, aceleradamente me escapa 
porque a vontade de fazer rima
rema contra a maré de ansiedade
brota pelos dedos, rumo a ponta do lápis
e dentro da fumaça que verte pelo quarto
do incenso fumegante a vela que arde
afinal é o que dizem dos que escrevem
que o fio que nos mantém na sanidade
é fino e feito de tinta ou grafite
medindo-se em milímetros e palavras 
aforismos que muito de nós guarda
então eu clamo, em breves linhas 
como prece que disfarço de poesia aqui
Que este não seja seu único poema 
que está ai agora a esboçar enquanto ri
ou quando choras escondido, sozinho
quando acha que não a razão para se abrir
que este não seja nosso único poema
quando eu estou a ponto de cair
e só você me segura e confronta
mandando enxugar as lágrimas e prosseguir
Que este seja só o primeiro poema
de tantos outros que nós 
haveremos de juntos construir 
já que de fato se leu cada verso até aqui
uma parte de mim, já vive por ai 
dentro de ti. 


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domingo, 26 de novembro de 2017

Corpo

Minha pele é minha tela
Minhas formas, meu contorno
Relevo de quem sou,
parte que movo, não só um dorso
parte em que vivo 
por onde respiro e grito.

Meu corpo é meu santuário
mas também meu sarcófago
meu casulo e asas em um só
meu corpo é mais que um templo
és parte ínfima de um todo 
no que tange meu íntimo

Das pontas ressecadas do cabelo
já sem tanto brilho
as leves marcas escavadas na face
quando rio 
meu corpo que guarda meu espírito 
os sonhos que estimo 

Meu corpo que reverencio 
onde a memória tal como labirinto 
esculpida em mim entre atritos e risos
entrelaçando cicatrizes e furos
tatuagens e mundos 
sob as sardas e marcas que o dia-a-dia traça 


Minhas pernas que me sustentam 
que me erguem e a todo lugar levam 
meus braços que se entregam e carregam
meu corpo que sente, desde o ventre
que inflama-se com um beijo
extasia-se em pleno desejo 


Meu corpo  que sangra
que dança, que clama
da boca que devora e canta
a voz outrora renegada, que agora ama
meu corpo que vibra em sinergia com a vida
meu corpo e só 




Melancolia

Não me lembro mais quando foi a última vez
A última vez em que pude contar com alguém
que pude desabar e saber que alguém estaria por perto
que pude me sentir fraco e não me fingir de forte 
Não me lembro mais quando tive medo e alguém me acolheu
Quando chorei e alguém me aconchegou
quando precisei e fui atendida 
As vezes parece que sempre fui triste 
que sempre estive sozinha 
e toda memória feliz em mim não passa de engano
As vezes não me lembro, porque ainda penso que ha algo a lembrar






A valsa de fim de ano

As vezes eu quero que o ano acabe logo
Findem-se os dias
Os prazos, as horas
Como se no final desses 365 dias corridos
Eu possa logo encontrar algo
Pensando no que essa outra alvorada
Possa para mim alguma coisa revelar
O que não penso nessa situaçao
É que ao passar dos dias que faltam
Ao finalizar dos compromissos e causas
Que eu venham a desabar
Cansada da jornada
E mais nada
Entao so me resta um pouco de solidão
Mesclada com vontade e ambiçao
Que antes do estourar de fogos
Da enfim passagem daqui para la
Possa pelo menos embaixo das luzes do natal, descansar