quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

Ando assim

Ando com vontades
sair caminhando em me preocupar com o quanto
vestir roupa sem combinar, 
prender o cabelo sem pentear, 
só jogar a roupa limpa no canto do quarto
deixar para depois a obrigação de arrumar


Ando assim, cansada de tudo e nada
de gente que não decide 
que não toma iniciativa 
daquelas que só causam aflição 
to em férias, recarregando as baterias
quero saber de confusão não 


Ando sem vaidade, 
não por me amar menos
mas por estar tão calma que
só quero aproveitar, sem me cansar 
Te recebo de pijama, vestido leve
descalça e de cara limpa, não sou mais obrigada 


Ando em transição, de amizades e gostos
de realidades e preocupações
dizem que amadurecer é isso:
amassar essas porções de dúvidas
colocar gelo, limão, uma dose de "hoje não" 
fazer um drink, beber num gole e só se refrescar


Ando assim, um pouco marejada
já não sei se preciso de uma noitada 
ou só mandar algumas pessoas pastar 
pois tenho sido feito de idiota, sendo enganada 
rodeada de pessoas que se aproveitam de mim 
depois mandar me ferrar para não se "indispor com outros" 


Ando querendo mesmo é sair sem direção
Tenho me perdido em leituras, 
tentado não ser arrastada pelas angústias
por hora,  quero um almoço gostoso e um banho 
roupa com cheiro de varal, restinho de perfume que amo
Ando assim, só querendo ficar na paz e tals 


A imagem pode conter: gato e área interna

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

Sentir-se descartável



Não sou forte. Sou quebradiça, feita de material deteriorado pela ação das marés contrárias que sempre enfrentei. Já abracei a morte de bom grado em mais de uma situação, deixando me levar pelos sentimentos que não sirvo mais nada que não gerar desconforto.
Tenho muitos defeitos, eu sei. Não sou a pessoa mais paciente ou mais pacífica, ainda assim podes contar comigo no meio da noite se estiver numa enrascada ou se precisar de um ombro amigo. Já recebi em minha casa pessoas que eu pouco conhecia porque precisavam de alguém e eu pude me dar, um pouco. Não tenho muito recursos financeiros, porém, quando me é possível já dividi o quase nada que tinha com outra pessoa, por saber que ela precisava tanto quanto eu.
Ando me sentindo uma fracassada. Aqueles que tomo por amigos me rejeitam, me substituem por pessoas que os agradam mais. Nas minhas lutas, não tenho obtido êxito, mas só derrota em cima de derrota.
Luto com demônios internos, males do meu espírito que fazem eu me sentir mais descartável do que sou. Brigo contra medos irracionais que me destroem a anos, me fazendo crer que sou defeituosa demais para ser amada.
Não espero que sintam pena de mim. Só gostaria que antes de me condenarem como um lixo, lembrem-se: eu sinto, tudo. Cada vez que viraram a cara para mim, cada vez que eu fiz sem pedir algo em troca e depois fui hostilizada. Eu só me faço de forte. A verdade, é que a cada estação eu desabo um pouco mais e já não há mais pedras para refazer meus alicerces.
Eu sei que uma hora, irei partir.

domingo, 5 de janeiro de 2020

Intensidade reativa

Gosto dos meus amores tal como gosto do meu café
Quente, forte e gostoso ao primeiro gole 
do tipo de pessoa que adoça com colher de sopa
que gosta de beber uma boa xícara fumegante
a qualquer hora do dia e da noite


Não curto cafés requentados
muito menos, frios ou ralos
quanto ao amargo na minha boca
já deixo pra vida por si só, 
não faço questão de ser a minha bebida


Café com leite é bom só de vez enquanto
como se eu encobrisse o verdadeiro sabor
tal qual o instante, que o calor desce pelos lábios
Gosto das minhas xícaras de café harmonizando
com amores intensos e não fracos 


Estimo quem me recebe e oferece café
principalmente, aquele recém passado
com gostinho de "seja bem vindo" 
te recebo bem ao meu lado
é uma forma de carinho, um real agrado


Eu reajo ao estímulo, 
ao sabor, ao toque, 
o intenso, o íntimo 
eu não só bebo o café, 
me nutro, aprecio o momento


O que me atrai é mais do que o que vejo 
O que me sustenta é como saboreio 
O café nunca é o mesmo: a forma de fazer que o é
uma relação harmoniosa de pó, água quente e açúcar
que seria entre nós: corpo, emoção e desejo. 
tudo em uma só xícara de gracejo  





quarta-feira, 20 de novembro de 2019

É preciso falar

Este texto é uma declaração 
Um ato verbal de indignação 
Não aconselhado à leitura 
pelos isentões 
que na fraca neutralidade 
se escondem da vil realidade
como covardes canastrões

A verdade é que nesta terra
onde cantavam sabiás
O sangue encharca o solo
E a vida do pobre valor não tem mais
Na terra da festa e do carnaval 
perecem etnias e povos
desde o tempo de Cabral

Onde o fel pelo boca desliza
ao pronunciar nos jantares a mesa
que a mãe da periferia 
mãe não devia ser 
Já que dinheiro não tem 
para sua cria manter 
e quem mora na rua, 
está ali por querer

Berram sem hesitação
que a morte é a cura do bandido
clamando por armas para se defender 
enquanto espancam as esposas 
sem ninguém ver
não se importando com a idade
da criança alvejada no chão


Em suas plácidas residências
discursam com eloquência
sobre como a mulher violada
o fruto do estupro deve conceber
falando do tamanho de saias
e dos horários na rua gastados
justificando aquilo tudo ela merecer

Mas a maior violência nacionalizada
É o discurso cruel estrutural 
na qual a pele negra se tornou passaporte
para uma morte eminente,
um perigo real frente a PM 
onde ainda se defende o direito de ser gente
ser respeitado como igual

Sou mulher e branca 
De outros males da vida já provei
sou vítima do machismo e violência
porém, tenho consciência 
que jamais saberei como se sentem
aqueles que pelo ódio a sua existência 
são covardemente atacados

Só sei que como filha das artes
emissária das palavras que o sou
me resta pelo verbo me expressar 
que em um Brasil racista como esse
de nada vai adiantar
só o preconceito não perpetuar 
é preciso tomar partido, é preciso falar


Bota tua voz pra fora, grita se preciso for
contra qualquer ato de racismo 
se for expectador 
aqueles que o mal acompanham 
e em silêncio permanecem sem agir
coniventes com a dor do outro se tornam
ao não reagir 


Presos a uma manada que os engole
os que silêncio permanecem vão sendo levados
a verdade oculta dos condomínios 
nas telas digitais e na fé sem lados 
que nosso país é um matadouro 
com um genocídio da população negra em andamento 
e tem gente aplaudindo isso de pé, nesse momento. 





domingo, 11 de agosto de 2019

Poesia em Homenagem ao Dia Nacional do Escritor

Escrevo porque isso me move
Me leva a expandir versões de mim
Escrevo porque o ato me recria
Ao mesmo tempo que me relembra de onde vim
Escrevo porque há muitas formas
de desbravar o mundo
E de enfrentar o que está por vir
Escrevo somente porque escrever
É um modo de existir

Feliz Dia Nacional do Escritor
Somos muitos
Somos ventos de agora
Reflexos de outroras
Encantos e memórias
Versos e prosas por ai fora



No dia 25 de julho comemora-se o Dia Nacional do Escritor no Brasil, na ocasião da data neste ano, escrevi esse texto acima em uma postagem no meu instagram e agora, compartilho com vocês
meus peregrinos das palavras que tem me acompanhado aqui no "O som das estrelas caídas"
Peço perdão por estar postando tão pouco por aqui, mas ando envolvida com outros projetos literários e a inspiração da poesia, não tem me acompanhado com tanta força quanto em outros momentos
Agradeço por cada leitura e visita que recebo aqui
Com carinho
A peregrina silenciosa 





Ausência de si

Há poesia em todo lugar
No céu, pelo ar
No dia que nasce e se deita
No mar que toca a areia
No espírito que chora
Na angústia que espreita
Mesmo no coração calejado
Que por medo nunca se ajeita




terça-feira, 28 de maio de 2019

Sobre as varias formas de encontrar o universo em si

Eu crio histórias para viver
ou vou sufocar, nesse ócio que é
me limitar a sobreviver
construo poesias e pontes
para não me afogar
nos mares de lágrimas 
em que as vezes anseio
somente me jogar
eu cultivo canções
para não me desesperar
pois é melhor abraçar 
a uma melodia ou um acorde
que desistir por não saber
exatamente como mais tentar
Eu sou uma serva da palavra
da arte, de curvas e linhas
uma peregrina feita de verso
música e movimento
às vezes perdida
outras sofrida
mais ainda viva.