Minha pele é minha tela
Minhas formas, meu contorno
Relevo de quem sou,
parte que movo, não só um dorso
parte em que vivo
por onde respiro e grito.
Meu corpo é meu santuário
mas também meu sarcófago
meu casulo e asas em um só
meu corpo é mais que um templo
és parte ínfima de um todo
no que tange meu íntimo
Das pontas ressecadas do cabelo
já sem tanto brilho
as leves marcas escavadas na face
quando rio
meu corpo que guarda meu espírito
os sonhos que estimo
Meu corpo que reverencio
onde a memória tal como labirinto
esculpida em mim entre atritos e risos
entrelaçando cicatrizes e furos
tatuagens e mundos
sob as sardas e marcas que o dia-a-dia traça
Minhas pernas que me sustentam
que me erguem e a todo lugar levam
meus braços que se entregam e carregam
meu corpo que sente, desde o ventre
que inflama-se com um beijo
extasia-se em pleno desejo
Meu corpo que sangra
que dança, que clama
da boca que devora e canta
a voz outrora renegada, que agora ama
meu corpo que vibra em sinergia com a vida
meu corpo e só
domingo, 26 de novembro de 2017
Melancolia
Não me lembro mais quando foi a última vez
A última vez em que pude contar com alguém
que pude desabar e saber que alguém estaria por perto
que pude me sentir fraco e não me fingir de forte
Não me lembro mais quando tive medo e alguém me acolheu
Quando chorei e alguém me aconchegou
quando precisei e fui atendida
As vezes parece que sempre fui triste
que sempre estive sozinha
e toda memória feliz em mim não passa de engano
As vezes não me lembro, porque ainda penso que ha algo a lembrar
A valsa de fim de ano
As vezes eu quero que o ano acabe logo
Findem-se os dias
Os prazos, as horas
Como se no final desses 365 dias corridos
Eu possa logo encontrar algo
Pensando no que essa outra alvorada
Possa para mim alguma coisa revelar
O que não penso nessa situaçao
É que ao passar dos dias que faltam
Ao finalizar dos compromissos e causas
Que eu venham a desabar
Cansada da jornada
E mais nada
Entao so me resta um pouco de solidão
Mesclada com vontade e ambiçao
Que antes do estourar de fogos
Da enfim passagem daqui para la
Possa pelo menos embaixo das luzes do natal, descansar
Findem-se os dias
Os prazos, as horas
Como se no final desses 365 dias corridos
Eu possa logo encontrar algo
Pensando no que essa outra alvorada
Possa para mim alguma coisa revelar
O que não penso nessa situaçao
É que ao passar dos dias que faltam
Ao finalizar dos compromissos e causas
Que eu venham a desabar
Cansada da jornada
E mais nada
Entao so me resta um pouco de solidão
Mesclada com vontade e ambiçao
Que antes do estourar de fogos
Da enfim passagem daqui para la
Possa pelo menos embaixo das luzes do natal, descansar
domingo, 12 de novembro de 2017
A garota do sabado
Quero ser a garota do sábado
não a guria que você procura a esmo
quando te bate a vontade e esta a toa
quando encaixa na tua liberdade
Percebo que é um hábito a vocês
distinguir quem chamas e quando o faz
mas sempre determinando
que o sábado é um tipo de dia sagrado
e para a sua farra de bom grado
há exceções para quem tem do seu lado
É fácil fazer contato em meio ao limbo
da semana arrastada, do dia chato
quando se encontra entediado
e por acaso lembras de alguém
com quem conversas e gostas de rir
eventualmente a quer para si
contudo, não no sábado, jamais
esse é o dia para estar com outras
ou simplesmente, para estar só consigo
e ninguém mais.
Afinal, é sua farra, o ápice ta tua lábia
Afinal, é sua farra, o ápice ta tua lábia
Nessa hora que percebemos
que enquanto deixemos isso acontecer
sempre sentir, sem falar, sem se deixar gostar
vemos o quanto é chato,
meu sábado com você não poder compartilhar
vemos o quanto é chato,
meu sábado com você não poder compartilhar
e assim ter que nos acostumar, nos podar
só com alguns momentos que escolhe
Conforma-se a poucas interações e sensações
porque de fato não há qualquer emoção
não há sentimento nessa relação
talvez seja hora de encerrar essa questão
pois se sinto que não se entrega
que não me leva em qualquer situação
não há porque só ser alimento pro teu ego
ser um mero entretenimento para ti
pelo menos agora eu entendo
que quem não está por inteiro
é porque na verdade não está em parte alguma
e eventualmente será como pássaro solto
me vendo com uma jaula e não ninho
indo e não retonando
deixando me para trás
pois se sinto que não se entrega
que não me leva em qualquer situação
não há porque só ser alimento pro teu ego
ser um mero entretenimento para ti
pelo menos agora eu entendo
que quem não está por inteiro
é porque na verdade não está em parte alguma
e eventualmente será como pássaro solto
me vendo com uma jaula e não ninho
indo e não retonando
deixando me para trás
domingo, 29 de outubro de 2017
Uzume e Hathor
Danças com o espírito mais que com teu corpo
danças com a esperança que está alguém a alcançar
danças com a leveza do linho e da seda
e a temperança de ser espinho e destreza
na meia ponta que ascende e sustenta
enquanto estão a bailar
amantes das danças e andanças
filhas de sóis, luas e estrelas
aqui representadas nessas breve linhas
como parte deusas e parte minhas
vestidas do tecido mais sofisticado, a alegria
adornadas de contas translúcidas de contraste
energizadas em melodia e poesia
vívidas e lindas, amantes de dança
triunfantes senhoritas que causam meu riso
e mesmo ante todo o frio, aquecem um ninho
com a gentileza que sempre estão a me dar.
danças com a esperança que está alguém a alcançar
danças com a leveza do linho e da seda
e a temperança de ser espinho e destreza
na meia ponta que ascende e sustenta
enquanto estão a bailar
amantes das danças e andanças
filhas de sóis, luas e estrelas
aqui representadas nessas breve linhas
como parte deusas e parte minhas
vestidas do tecido mais sofisticado, a alegria
adornadas de contas translúcidas de contraste
energizadas em melodia e poesia
vívidas e lindas, amantes de dança
triunfantes senhoritas que causam meu riso
e mesmo ante todo o frio, aquecem um ninho
com a gentileza que sempre estão a me dar.
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
Inspiração
No topo daquela fria montanha
Pode se ouvir o lamurio do vento
Entoando uma antiga canção
Trazendo uma voz perdida
Entorpecida em obscuras melodias
Uma dama oculta em negras vestes
Que conduz a luz e trevas entre preces
Enfeitiçando ao poetizar
Uma dama de alma entrelaçada
De júbilo e batalhas
Um espirito que canta
E desperta naqueles que a escutam
A vontade de cantar
Pode se ouvir o lamurio do vento
Entoando uma antiga canção
Trazendo uma voz perdida
Entorpecida em obscuras melodias
Uma dama oculta em negras vestes
Que conduz a luz e trevas entre preces
Enfeitiçando ao poetizar
Uma dama de alma entrelaçada
De júbilo e batalhas
Um espirito que canta
E desperta naqueles que a escutam
A vontade de cantar
dedicada a cantora e minha inspiração, Fernanda Freitas Miranda
Hammer Herz
Meus dedos tocam o arco
o posicionando docemente sobre as cordas
meus dedos tocam o espelho negro
buscando o som harmonioso das notas
então desço o arco e movo
marcando e ligando, tocando
porém o som treme e oscila
com os batimentos fortes no peito
e essa respiração acelerada inflige
novamente angustiada, cesso o som
Mais uma manhã, mais um conflito
uma voz agressiva que grita, berra
ataca sem nem menos saber
o violino sobre o colo pesa
como os olhos que anseiam chorar
respiro e me recomponho
seco o úmido na face, me recomponho
tomo o instrumento que me acompanha
deixando o peito amolecer
deixando a música nascer
meu espirito não pode ruir
O que bate no peito
o que move o pulso, chama
em meio a multidão, desabo
sento e deixo vir, deixo lacrimejar
palavras ao longe me feriram
palavras ao longe me confortaram
posso enfim me mover,
buscar outro lugar
o que bate no peito é forte
tem a força de um martelo
Sou nascida de um castelo forte
filha de musas e poesias,
amante da canções e melodias
porém, também sou angustia
marcada pelo fel de desconhecidos
por palavras e ações de antigos amigos
mas o coração permanece a pulsar
chamando a mulher em mim a lutar
essa é minha sina e meu escudo
pois ao cair, maior se torna meu agudo
e mais profundo.. meu som, meu eu, meu tudo
o posicionando docemente sobre as cordas
meus dedos tocam o espelho negro
buscando o som harmonioso das notas
então desço o arco e movo
marcando e ligando, tocando
porém o som treme e oscila
com os batimentos fortes no peito
e essa respiração acelerada inflige
novamente angustiada, cesso o som
Mais uma manhã, mais um conflito
uma voz agressiva que grita, berra
ataca sem nem menos saber
o violino sobre o colo pesa
como os olhos que anseiam chorar
respiro e me recomponho
seco o úmido na face, me recomponho
tomo o instrumento que me acompanha
deixando o peito amolecer
deixando a música nascer
meu espirito não pode ruir
O que bate no peito
o que move o pulso, chama
em meio a multidão, desabo
sento e deixo vir, deixo lacrimejar
palavras ao longe me feriram
palavras ao longe me confortaram
posso enfim me mover,
buscar outro lugar
o que bate no peito é forte
tem a força de um martelo
Sou nascida de um castelo forte
filha de musas e poesias,
amante da canções e melodias
porém, também sou angustia
marcada pelo fel de desconhecidos
por palavras e ações de antigos amigos
mas o coração permanece a pulsar
chamando a mulher em mim a lutar
essa é minha sina e meu escudo
pois ao cair, maior se torna meu agudo
e mais profundo.. meu som, meu eu, meu tudo
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