domingo, 28 de janeiro de 2018

Estenda-se até o infinito

Alongue seu corpo
toque-se, se sinta
respire fundo, 
deixe fluir o ar 
através de você
e cante um pouco 
cante alto ou em sua mente
quando a musica te preencher
dance, 
consigo mesmo, com seu gato
talvez sozinho em se quarto
se deixe levar
crie algo novo 
faça algo com suas mãos
com linhas, papel repicado
talvez o seu almoço
aproveite e coma algo 
sem pressa e com sabor
ponha tempero em seu dia
nutra-se com uma história 
um verso, um capítulo
quem sabe um filme 
há sempre algo a apreciar
inclusive a si mesmo
viva, 
intensamente, com gosto 
preencha-se com sorrisos
e algumas lágrimas, 
abraços e contentos
mas não se esqueça 
alonguem-se 
deixe que seus braços esticados
estendam-se até o infinito

Minha amiga bailarina de dança do ventre, Manni 


quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Aos sonhos que são atendidos...

Me pediram para contar
qual era o som das estrelas caídas
então, uma história eu contei
sobre alguém que vê uma luz cadente
e desejando algo fortamente
pronuncia aos céus um pedido 
quase sussurrando cheio de dúvida e fé
um som quase inaudível a todos os ouvidos
mas esta pessoa que pede não é única
pois o brilho estelar desta queda
outros irá encantar
criando uma canção de pedidos
e esperança, que pelo céu irá ecoar...


Nesse instante falo das estrelas
que ouvem a todos as solicitações
bem como um conjunto de lamentações
e juras de amor mal resolvido
falo das constelações que outrora
conduziam a todos os navios 
e hoje são plano de fundo 
a tantas narrativas a perder-se no limbo
Falo da dádiva de podermos ser 
noite a noite ternamente embalados
por corpos cheios do brilho
que dos céus nos contemplam 
inspirando mais que canções:
a esperança que possamos ser ouvidos
e nossos desejos talvez atendidos


Afinal, não importa o quanto a ciência
esteja sempre um pouco mais a desbravar
e lá de cima, essas luz que nos acompanha
como gás e combustão, conceituar
sem ao menos considerar que para 
aqueles que amam, sonham e escrevem
para aqueles poucos que ainda acreditam
Haverá sempre uma dimensão sem explicação
uma brecha na tecnologia, uma contradição
na qual os sonhos são atendidos 
quando as estrelas cadentes cruzam os céus
mesmo que sem precedentes 
e que tais desejos, muitas vezes latentes
só se tornem crescentes na nossa frente
anos depois que o brilho já se perdeu na mente




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Eu queria ser normal

Queria ser normal
queria passar pela raiva e dor
sem me despedaçar
queria sorrir despretensiosamente
todo o tempo, em qualquer lugar
mas não consigo,
só que é duro, doí
quando parece que todos esperam
e esperam e esperam
que eu possa sozinha me consertar


As vezes eu me esqueço
de sorrir, de cumprimentar
constantemente me perco
me esqueço, me fecho
me envolvo em alguma ação
começo a fazer algo e penso
que devo fazer outra coisa
tento fixar aquilo
mas outro pensamento vem
e não me lembro
a ligação de aniversário
a mensagem que eu tinha mandar
o email que não redigi
e me quebro, porque falhei de novo


Me desculpa se sou as vezes "sonsa"
eu juro, eu me esforço
eu faço uma agenda pra anotar coisas
eu tenho papeis colados no quarto
só que é tão cansativo
porque parece que quanto mais me esforço
mais fica difícil, ser normal
eu já me escondi em quartos por dias
querendo ninguém encontrar
ser sociável é tão exaustivo
quando não se sabe bem por onde começar



Eu não sei puxei conversas aleatórias
eu sou chata, eu sou entediante, eu sei
eu posso ler livros gigantescos em horas
mas me perder em um diálogo pequeno
quando me prendo em uma atividade
posso fazer ela repetidas vezes
e perceber depois, que não comi
não bebi água ou parei
e as pessoas olham pra mim e dizem:
que você está nos prejudicando
porque não cessa, quando poderiam ter falado
e eu saio de vilã, o tempo todo
até quando não faço nada



Tem horas que eu acho que deveria sumir
que eu não deveria prosseguir
que sou tão defeituosa que não há nada pra mim
estou cansada, de não ser o que querem
estou cansada, de quanto estou triste
não poder reclamar
mas ter que receber todas as "reclamações"
de vocês sobre mim e ter aguentar
estou cansada e com vontade de descansar
e acho que hoje dessa cama, não quero levantar

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Quando eu te incomodo

Por que te incomodas tanto
se minha barriga não é chapada?
ou se sou tão alta ou magra?
se sou despojada ou refinada? 

Por que te incomodas se tinjo 
meus cabelos de vermelho
ou se os deixo crespos
armados, lisos ou repicados?

Se minha pele tem rugas ou gravuras?
ou se pinto meus lábios de carmim ou não?
se escolho sair de short ou vestido 
te irrita saber que sou que nesse corpo vivo?

Se tenho alguns pares de furos na orelha
ou nenhum, talvez mais tarde, ou nunca
no que isso muda a minha alma, quando a relaciona
a se escolho um decote e assim, julga minha "laia"

Por que a cerveja em minha mão
incomoda mais que a minha aflição?
Quando a delicadeza das minhas unhas se tornou
mais relevante que o sorriso em minha face?

Por que te irritas se digo com veemencia
que não desejo um filho nem hoje, nem amanhã
ou se o desejo, mesmo que venha como mãe solo o criar
se danço ou não, qual a razão da sua exasperação; 

Eu só gostaria mesmo de saber
em que passagem dessa nossa maré diária
minha classe passou a ser julgada 
pelo comprimento da minha saia 

Afinal, por que te incomodas tanto
se eu questiono quando me julgas
quando assim o fazes todo o tempo
fazendo-me sentir só mais um produto em exposição

No fundo, só gostaríamos de poder dizer a cada menina
um dia, só por um dia: "não temas", "não chores e só viva"
contudo ainda estamos em uma eterna peleja contra essa
sociedade, que insistem em nos colocar em uma bandeja.










quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

As estrelas que me ouvem...

Sou um rascunho inacabado
de uma poesia rasa que me concebeu
emersa em danças de alegria
e estantes cheias de avaria, 
entre as quais meu eu cresceu
tantas vezes com medo adormecer
abraçando um ursinho ao orar baixinho
temendo o que poderia vir a ocorrer
sem saber como contar que doía

Deixando-se perder por dias, 
em histórias de luz e esperança
que nas páginas amareladas
eu pudesse cruzar a todos os mares  
transpondo o labirinto dos ventos
vencendo a todos os elementos 
com uma espada erguida nas mãos
e dormir enfim, em paz
sob as asas de um antigo dragão 

Dos meus desejos de infância
pouco resta a trazer a a realidade
pois descobri que a pequena leitora
em mim transformou-se em algo a mais
uma jovem sonhadora que vagarosamente
rescreve suas outroras tristes memórias
e aos poucos vai conquistando um laço
consigo mesmo, entre o agora e o sem fim
um espaço entre as estrelas e o além

Onde posso tudo esperar 
sem mais medo e frio a espreitar
onde eu sou suficiente, mesmo assim
mesmo que defeituosa e partida, que eu vá
entre um planeta, um menino e sua rosa
e uma constelação de canções de ninar
meu tear de poesia segue a criar 
minha tapeçaria de pequenos feitos 
que entalho no universo a me rodear 





sábado, 9 de dezembro de 2017

Dagaz

Verte esperanças na luz que retorna
a cada amanhecer 
a cada transformar-se em um novo ser
atada ao solstício que a de preceder
com grande luminosidade
o progresso da escuridão 
que não a tarda a te envolver


Despertada em tantos constastes
é chegada a hora de antever
que a mudança virá para ti 
mesmo sem querer 
equilibrando-se o assim
nas asas de uma borboleta
o verão após o casulo a crescer


Não temas o frio e o silêncio
ou os passos aos quais se deve ater
se enfim, desejas crescer
pois as estações vem e vão 
e nesse ciclo que em mim transcrevo
bordados em realidades que vejo
Dagaz me acompanha tal como meu sol
e também minha lua. 



quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Toda parte vivaz em mim


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Pois o vermelho, é puro e direto
o branco translucido, sincero
Nessas cores que vejo e quero
menos do negro me embebedo
E do carmim ao jasmim
Encontro outras de mim
Sempre versões com as quais
possa um pouco sorrir