sábado, 27 de junho de 2015

Busco..
Porque a lacuna existe e a superfície não é o suficiente
Eu experimento, entrelaço, aprendo e me refaço...
ir dos céus ao mar
Da palavra ao número, do instante ao infinito
O conceito que se forma ou forma
Aprendiz do Significado

Construção em conjunção.... ao conhecimento internalizado. 

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Através do frio e da chuva lá fora

O mundo se apresenta novamente como uma poça de água...
retida no solo, vinda da chuva que cai, que caiu 
onde, outra vez, uma pedra foi atirada
disfarçada de gentileza.... 
e mais uma vez paira a dúvida incessante
expressa em ondas que estremecem 
a anterior superfície plácida

dúvida que distrai e instiga
pois ora, há de se pensar
Tratar-se-a de saudades que afloram um peito
ou, tão somente, uma sutil armadilha 
a essa sonhadora que escreve
e espera.. e espera
e agora sente-se atrair
e tenta repelir.. a mais uma Dionéia



sexta-feira, 19 de junho de 2015

Cinzelar

Eu, que apresento um coração rasurado
partido em porções desiguais, reduzidas a lascas
Eu, que procuro uma linha certa e a agulha suficientemente afiada, 
o ainda, ponto ideal para atar:
tantos rasgos, tantas frestas, tantos nadas
abertos, largados, deixados como sobras
de antigos risos e carícias, 
abraços e estima

Eu, autodeclarada como ser volúvel
emocionalmente entalhada pelas ventanias diárias 
da primavera morna como verão, outono congelado antes do inverno
Eu, que ambiciono ser aparada, um pouco mais sutilmente
lixada até que a marcas passadas...
percam-se em poeira e mais nada
sem mais farpas,
exposta e sem zelo

Eu, matéria prima já muito lacerada
manifestada pela ânsia,
de amar e ser amada
de ser, tal qual a madeira, recriada pelo escultor 
Eu, que tomo o cinzel e tracejo
busco a mão que o apoie, em contrapeso
e na canção e no gracejo
na ventania ou no bocejo
repousar, a casca aos poucos trabalhada
selando com um beijo




segunda-feira, 15 de junho de 2015

Affectus Aquarians

O carregador de água me falou,
que o mundo está louco a minha volta,
que todos os deuses estão mortos...
que os céus estão a cair e os corações a murchar

Ele me sussurrou, em meu leito de desanimo e fraqueza
o quão tola soava a melodia cadenciada dos meus batimentos contidos 
dos sentir alheio, que tenta se esquecer, mas não parte
do desejo lascivo, estúpido e retido, que insiste em retornar e retornar

E esse mesmo, que me em flama e intima
fala e reverbera, me chama de demasiada e encantada
apaixonada, excessiva e insensata.. e ainda sim, me faz pensar:
O que um louco pode explicar a outro
ou o que é loucura dentro de um plano em que nada é evidentemente real...



quarta-feira, 10 de junho de 2015

Canto a minha Euterpe


Fada azul, do ventre iluminado
o que carregas nesse céu enlurado?  
Nessa brisa que aporta, no umbral da noite que se abre
Vento que vai, vento que chega
vaga-lumes em fadas, elfos ou candeias


Iluminai-me, iluminá-i-ais

a inspiração que brota no orvalho do adormecer
traga-me mais um pouco de sua essência, musa minha 
a porção de ontem fora roubada pela ardil avejão 
Essa vivacidade que aflora no alvoroço dos pardais lá fora, não pode ser mais ignorada


Dê-mais 

luz, eloquência, paixão, zelo
indução, afeição e gracejo
Fada azul, ventania escura da madrugada úmida
Preencha-me, meu alento é teu; careço dos seus abraços. 
anseio por mais e mais.